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Matéria · julho de 2026 · 5 min de leitura

Inflexão nas Américas; interior do Mercosul ganha espaço

O avanço de junho chegou à América Latina pelo Atlântico. Julho traz a desaceleração já prevista pelas armadoras — México segue à frente, enquanto Brasil e Argentina perdem força, a Península Ibérica se divide com o novo adicional, e o interior sem acesso ao mar desponta como próxima rota.

Por Equipe SINO Shipping

+38,3%

China → México, marítimo 40GP, variação mensal

México mantém liderança pelo segundo mês, impulsionado pelo nearshoring, enquanto o Atlântico desacelera ao redor..

Inteligência do setor · via EAA Network (membro do conselho)

  • Steven Yuan, da FS International, relata que as rotas para EUA e América do Sul subiram mais que Europa em maio e junho, mas agora atingem um ponto de inflexão, com tendência de queda nos preços a partir de julho. Armadores já começaram a cotar fretes spot mais baixos logo após o adicional europeu de 1º de julho.

    Marca o ponto exato nos dados: Brasil e Argentina desacelerando de +85,3% para +16,1% sinaliza a inflexão nas Américas nos fretes marítimos.

    EAA Network · Semanas 25-26 · 2026 ↗

  • Um associado da EAA relata visita ao Uruguai, Paraguai e Bolívia, com novos parceiros confiáveis no interior do Mercosul a serem anunciados em breve.

    O interior sem acesso ao mar é o próximo passo do nearshoring. Uruguai e Paraguai subiram 16,1% junto com o Atlântico este mês; a demanda passa por Santos e Montevidéu.

    EAA Network · Semanas 25-26 · 2026 ↗

  • Armadores europeus, liderados por CMA CGM e Maersk, aplicaram adicionais de alta temporada de US$ 500/US$ 1.000/US$ 1.000 por contêiner a partir de 1º de julho, devido à dificuldade de reposição de contêineres vazios em Shanghai, Ningbo e Shenzhen e à demanda antecipada.

    Explica por que a Espanha (+34,7%) acompanhou o movimento da Europa do Norte, e não do grupo LATAM — a Península Ibérica recebe o adicional do Atlântico Norte, sem influência regional.

    EAA Network · Semana 25-26 · 2026 ↗

  • As exportações de mercadorias da China cresceram 19,4% em maio na comparação anual, o maior avanço em quase três meses, intensificando a demanda por capacidade de contêiner em todas as origens.

    Este é o cenário de capacidade em todas as rotas LATAM neste ciclo — mesmo o Atlântico desacelerando ainda disputa equipamentos em um mercado global apertado.

    EAA Network · Semana 25-26 · 2026 ↗

Em junho, a alta global dos fretes marítimos chegou com força à LATAM, via Atlântico: Brasil e Argentina subiram 85,3%, a rota de nearshoring do México avançou +77,8%, e a Península Ibérica acompanhou a Europa do Norte. Julho marca a desaceleração — e foi prevista pelas próprias armadoras. O México segue à frente, mas o Atlântico de longo curso perdeu ritmo, a Ibéria se dividiu, e o sinal mais relevante agora vem do interior.

01

México lidera, Atlântico esfria

China → México subiu 38,3%, chegando a US$ 6.968–8.517, mantendo a liderança regional graças ao impulso estrutural do nearshoring para Manzanillo e um volume de pedidos futuros que não cede em nenhum ciclo. Já o Atlântico de longo curso desacelerou: Brasil e Argentina avançaram 16,1%, para US$ 7.263–8.877 — um ganho real, mas bem abaixo dos +85,3% de junho. Não é uma reversão, e sim um ponto de inflexão, exatamente como apontaram as mesas das armadoras.

O diagnóstico das mesas de frete é direto. O informe da FS International deste mês mostra rotas dos EUA e América do Sul com desempenho superior ao da Europa em maio e junho, chegando ao ponto de inflexão com expectativa de queda de preços a partir de julho. Nosso registro do Atlântico confirma esse movimento nos valores de frete — o pico já passou, o patamar se mantém, e a próxima surpresa tende a ser de baixa.

02

Ibéria se divide com o adicional de julho

A Ibéria não se movimentou de forma homogênea. A Espanha subiu 34,7%, para US$ 6.255–7.645, acompanhando o adicional de alta temporada da Europa do Norte em 1º de julho — CMA CGM e Maersk aplicando US$ 500/US$ 1.000/US$ 1.000 por contêiner — e não um efeito regional LATAM. Portugal teve alta mais moderada, de 13,0%, para US$ 5.490–6.710. Quando Algeciras e Valência seguem Rotterdam e não Santos, o fator é o adicional do Atlântico Norte sobre demanda antecipada, com o mesmo risco de devolução de preços observado no restante da Europa.

China → spain · portugal · marítimo 40GP · mediana 12 meses

  • spain
  • portugal
mínUS$ 2.950máxUS$ 6.950
Ibéria, dois ritmos. Média de doze meses para 40GP marítimo (USD): Espanha absorve integralmente o adicional de julho da Europa do Norte, enquanto Portugal fica atrás.

03

O interior ganha destaque

O sinal mais prospectivo vem do interior. Uruguai e Paraguai acompanharam o Atlântico, com alta de 16,1% neste ciclo, e um associado da EAA relata visitas a Uruguai, Paraguai e Bolívia, com novos parceiros do interior do Mercosul previstos para breve. É aqui que o nearshoring se expande — demanda interna que sempre passou por Santos e Montevidéu, agora grande o suficiente para justificar corredores dedicados. Fique atento aos anúncios; os fretes acompanham os novos parceiros.

04

A Aliança do Pacífico permanece estável — mais uma vez

Pelo segundo mês consecutivo, a Costa Oeste não apresentou variação. Chile, Colômbia e Equador ficaram estáveis — e, neste ciclo, as cotações brutas chegaram com o preço do 40GP igual ou inferior ao do 20GP, o que é fisicamente impossível; por isso, a equipe manteve os valores do mês anterior até que haja uma cotação confiável. O Peru também ficou estável. A entrada de Chancay ainda não alterou os preços da Aliança do Pacífico como a nota de junho previa. Dois meses de estabilidade, com uma célula de dados problemáticos, não representam estabilidade real; é a zona mais propensa a saltar assim que uma cotação válida for registrada.

Médias m/m por zona · marítimo 40GP

+10,1%LATAM Nearshoring7 lanes+23,8%Iberian gateway2 lanes
Variação média do 40GP marítimo por zona. O nearshoring impulsiona julho no México e no Atlântico; o acesso ibérico acompanha o adicional da Europa do Norte.

05

O que estamos monitorando

Em junho, o LATAM foi desafiado a acompanhar o aumento global. Julho traz uma questão mais difícil: o que se mantém quando o aumento cessa? O México responde com estrutura; o Atlântico, com desaceleração; a Ibéria, com um adicional que pode ser temporário; e o interior, com um corredor ainda em construção. Para o embarcador que reserva neste trimestre, a região passou de correr atrás das tarifas para analisá-las — e a análise indica que o pico já foi atingido no Atlântico, enquanto o interior é o único segmento ainda em expansão.

Rotas mencionadas

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Fontes

  • · Equipe de cotação da SINO — solicitações de cotação internas às armadoras, ciclo de julho de 2026
  • · Freightos Baltic Index (FBX) — rotas sobrepostas, referência pública
  • · Drewry World Container Index (WCI) — rotas sobrepostas, referência pública
  • · EAA Network — Você Sabia?, Semanas 25-26 de 2026