Matéria · junho de 2026 · 7 min de leitura
Atlântico acompanha alta global; Aliança do Pacífico permanece estável
O movimento de alta nas tarifas marítimas em junho chega à América Latina pelo Atlântico e pela Península Ibérica — Brasil, Argentina e rotas de nearshoring sobem forte, enquanto Chile, Peru, Colômbia e Equador mantêm estabilidade.
Por Redação SINO Shipping
China → Brasil, marítimo 40GP, variação mensal
O Atlântico latino-americano absorve integralmente a alta global de junho — Santos e o fluxo automotivo de São Paulo sustentam as cotações da rota, enquanto a costa oeste da América do Sul permanece estável..
Inteligência do setor · via EAA Network (membro do conselho)
O WCI Rotterdam-Nova York atingiu US$ 2.327/FEU, alta de 55% em relação ao piso de março, enquanto as tarifas China-Europa superaram os níveis de início de maio, mas seguem abaixo da meta de US$ 3.500/40HQ dos armadores.
Reajustes no Atlântico Norte e Norte da Europa ocorrem no mesmo período do nosso acesso ibérico — China → Portugal +74,2% e China → Espanha +56,4% refletem o mesmo impulso de demanda identificado em índices de terceiros voltados à LATAM.
A Maersk registrou aumento de 9,3% no volume de contêineres, enquanto as tarifas médias caíram 14%. A Hapag-Lloyd teve prejuízo líquido de US$ 256M no 1º trimestre de 2026, frente ao lucro de US$ 469M no ano anterior.
O contexto de reversão à média para a alta de +85% no Atlântico: os resultados das armadoras ainda eram fracos no início de junho, indicando que o avanço expressivo em Brasil e Argentina reflete mais um choque de demanda diante de capacidade limitada do que um novo piso consolidado.
O tráfego comercial no Estreito de Hormuz ficou parado no meio da semana, e o volume de bunker em Singapura caiu pelo menos 300.000 toneladas em abril, frente à média de ~4.7M toneladas/mês.
Indica que junho foi marcado por um ajuste entre capacidade e demanda, e não por um choque de combustível — explicando como um aumento originado do outro lado do mundo acabou impactando o Atlântico da América Latina, onde o frete aéreo permaneceu estável em relação ao marítimo.
O porto de Chancay (Peru) confirmou as primeiras escalas regulares de navios porta-contêineres de longo curso a partir de julho de 2026.
É o motivo estrutural para acompanhar a Aliança do Pacífico, e não ignorá-la. As primeiras escalas diretas em Chancay chegam já no próximo mês a uma costa oeste que registrou estabilidade — a reprecificação da zona que se segue dificilmente será linear.
Autoridade do Porto de Chancay — divulgação da programação operacional ↗
O aumento dos fretes de contêiner em junho foi um fenômeno global, envolvendo várias regiões — Sul da Ásia, Norte da Europa e Atlântico reajustando valores no mesmo ciclo, com o frete aéreo estável durante todo o período. A América Latina foi impactada, mas de forma desigual. O movimento chegou pelo Atlântico e pela Península Ibérica, deixando a costa oeste da América do Sul praticamente sem alteração. As rotas China → Brasil e China → Argentina subiram 85,3% no marítimo 40GP, atingindo a faixa de US$ 6.255–7.645; a rota de nearshoring para o México aumentou 77,8%, chegando a US$ 5.040–6.160. Enquanto isso, Chile, Peru, Colômbia e Equador mantiveram os valores estáveis. O mesmo cenário, duas realidades distintas na América Latina.
O destaque deste mês é a divisão entre as rotas. Quando um aumento generalizado é impulsionado tanto pela disciplina de capacidade das companhias quanto por uma demanda pontual, e não apenas por um corredor fechado, esse movimento se espalha pelas rotas que os armadores mais buscam proteger. No Atlântico, as rotas de longo curso para Santos e para o Rio da Prata concentram tanto o volume quanto o poder de precificação. No trans-Pacífico, as rotas de nearshoring para Manzanillo também são estratégicas. Já a Pacific Alliance West Coast, ainda lidando com o excesso de capacidade acumulado no primeiro trimestre, não teve demanda para incremento de oferta.
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Brasil e Rio da Prata absorvem o aumento por completo
China → Brasil & Argentina, faixa marítima 40GP, junho
ambas subiram 85,3% em relação ao mês anterior — o comércio de longo curso pelo Atlântico absorveu o impulso global de junho sem depender de um único corredor.
O Brasil manteve um prêmio fora de ciclo durante a primavera, impulsionado pelos tempos de espera em Santos e pelo volume de pedidos do setor automotivo em São Paulo — importações de componentes e ferramentas da BYD, Great Wall e Chery que não seguem um ritmo mensal. Junho trouxe o aumento global sobre esse patamar já elevado. A Argentina acompanhou o movimento, também com +85,3%, com o comércio do Rio da Prata precificando a mesma restrição de capacidade de longo curso. Quando a rota que já era a mais firme do grupo absorve todo o ajuste mês a mês, o sinal é de demanda somando-se ao piso estrutural, e não de um pico especulativo.
O México teve alta de 77,8%, chegando a US$ 5.040–6.160. A rota de nearshoring se comporta como uma rota de longo curso pelo Atlântico em termos de precificação, mesmo quando o trajeto é trans-Pacífico — a carteira de pedidos para montagem com destino aos EUA é estrutural, e as armadoras defendem o valor conforme isso. O contraste com a estabilidade na costa oeste da Aliança do Pacífico é o sinal mais claro nesta edição de que o aumento de junho foi puxado pela demanda nas rotas com maior volume de pedidos futuros, e não por uma alta uniforme do custo do frete.
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A Península Ibérica reajusta junto com o Norte da Europa
O acesso ibérico acompanhou o complexo do Norte da Europa, e não o grupo da América Latina. China → Portugal subiu 74,2% (US$ 4.860–5.940) e China → Espanha 56,4% (US$ 4.644–5.676), impulsionadas pelo mesmo movimento de demanda no Atlântico Norte que elevou WCI Rotterdam-New York em 55% desde o piso de março, chegando a Algeciras, Valência e Sines. Os dois portos ficaram mais próximos do que na queda de maio, quando a Espanha liderou por transbordo e Portugal ficou atrás por importação direta — sinal de que, neste ciclo, o ajuste vem da demanda final e não de um aumento no transbordo.
China → spain · portugal · marítimo 40GP · mediana 12 meses
- spain
- portugal
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A Aliança do Pacífico permanece estável
Chile, Peru, Colômbia e Equador mantiveram os valores estáveis na rota marítima 40GP — única região do relatório LATAM que ficou fora da alta. A Costa Oeste operou com excesso de capacidade no primeiro trimestre e eliminou esse excedente em maio; junho encontrou o mercado sem folga para negociar e sem nova demanda para puxar mais navios. Estável não significa estável de verdade: é a calmaria antes de uma mudança estrutural. As primeiras escalas de longo curso em Chancay começam em julho, e um megaporto projetado para conquistar participação de chamadas diretas de Callao não deve deixar a região do Pacífico parada por muito tempo.
Médias m/m por zona · marítimo 40GP
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Como interpretar os dados
O resultado de junho para LATAM mostra claramente como uma alta ampla e sem origem definida se espalha: passa pelas rotas com maior demanda futura e capacidade mais protegida, e contorna aquelas ainda absorvendo excesso. Atlântico e Ibéria foram impactados; a Aliança do Pacífico não. Diferente do ajuste de maio após o Ano Novo Lunar, que teve causa clara de capacidade e, por isso, um piso identificável, o movimento de junho não tem um fator físico único — as rotas em alta estão mais expostas à reversão se a demanda enfraquecer, e a Costa Oeste, que ficou estável, é a mais propensa a se mover na sequência, impulsionada por Chancay e não por tarifas.
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O que acompanhar no próximo mês
- Chancay (Peru) — as primeiras escalas de longo curso programadas começam em julho; a Aliança do Pacífico, que está estável, é a região mais provável de reajustar tarifas, já que Callao perde participação de chamadas diretas para um megaporto construído para conquistá-la.
- Brasil e Argentina — os valores de +85,3% são os principais candidatos à reversão se a demanda ampla enfraquecer; a safra agrícola de Santos e o mercado automotivo de São Paulo funcionam como piso para qualquer queda.
- Ibéria — Espanha e Portugal subiram junto com o Norte da Europa; vale observar se o impulso de demanda no Atlântico Norte se mantém no ciclo de importação do verão ou se recua como aconteceu após a Páscoa em maio.
- Diferença entre aéreo e marítimo — o aéreo ficou estável em junho nas rotas LATAM; se começar a subir, o evento deixa de ser apenas uma questão de capacidade marítima e passa a sinalizar um choque de demanda entre modais.